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A outra metade das coisas, ou mais um texto vago

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Por mais que estivéssemos em pleno inverno, aquela manhã estava com cara de outono, o vento raro, ora batia nas folhas amareladas ora mexia com o rabo-de-cavalo que prendia meus cabelos. Não era um costume meu, andar por aquela pista de caminhada sem estar realmente fazendo uma, mas tinha necessidade de estar sozinha, de ir para longe, longe o suficiente que me concedesse o privilégio de ainda poder voltar antes do almoço.

Deixei muitas coisas inacabadas em casa, e nem quis pensar no que viria quando então chegasse no trabalho, mas é isso que a vida tem sido, pelo menos a minha, inacabada, já virou um reflexo involuntário de mim mesma, abandono sentimentos e tarefas pela metade na maior parte do tempo. Tentei afastar esses pensamentos ouvindo música, quanto tempo fazia? Por preguiça ficara ouvindo as ultimas e as primeiras músicas da minha biblioteca por bons meses, mas hoje seria diferente, criei coragem e fui pulando música por música até que chegasse ao número correspondente a metade delas.

Fiquei surpresa pois eram trilhas sonoras de sentimentos que eu havia interrompido dentro de mim, incluse a felicidade. Deixei que as melodias ditassem o ritmo das passadas, enquanto me entregava a paisagem, sentia que as pradarias estavam a me envolver juntamente com as pequenas vegetações, naquele momento me permiti pensar e sussurrar tudo o que estava carregando em meus pensamentos, havia tanto tempo que não era tão sincera comigo mesma, a etiqueta sempre nos limita a meias palavras, a jamais falar demais de si próprio para os outros, não tive dificuldades de seguir essa regra, eles não entenderiam meu próprio silêncio. Mas a mim, foi dado o dom de dissermir meus pensamentos, pensei isso com grande alívio.

De repente, me tornei aquela estrada, descobri o quão infinita poderia ser, e que outros caminhos, poderiam cruzar minha vida, mas não interromperiam que eu prosseguisse, era livre, cabia a mim conduzir-me a meu destino, não deveria importar-me com quem fazia de mim passagem, pois era de ordem natural que seus calcanhares modelassem em mim-estrada as rugas do tempo. Me descobri metáfora, poesia, e recordei que já era completa, pois só eu que posso me fazer feliz, pois quem permite isso, quem pensa e age, aceita ou nega, contrai ou repele, sorri ou entristece somos nós mesmos.

Retornei pouco antes do almoço, e tudo que estava inacabado, terminei, todos os sentimentos interrompidos, com o tempo, eu os transformei, executando alguns e depois anulando outros, mas jamais, a partir daquele dia, interrompi, ou abandonei qualquer que fosse a tarefa ou sentimento, pois a chave estava em mim, eu era a metade que completava tudo aquilo, não todas as coisas que me completavam, isso eu já havia feito antes de vir a esse mundo.

2 comentários:

  1. Texto lindo e nada vago, muito bom mesmo :D
    Otima noite e semana
    abraços t+

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  2. Aaa obrigada Soninha! Praa vocêe também! Beijos!

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