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Ao cativo coração poeta


A mulher por detrás da mesa... ninguém sabe, ou se quer percebe mas ela também sonha, e apesar da aparente calma, ela também tem pressa de ir embora, tomar um banho e relaxar, molhar um pouco o travesseiro com algumas lágrimas de saudade, isso, se as tantas tarefas que sempre sobram para depois do expediente não a entreterem; ela é humana e também tem seus desejos, suas sensações, mas ninguém se pergunta se ela precisava ouvir um obrigado pelo bom atendimento.

Duas, três olhadas em frente ao espelho antes de terminar o horário de almoço, será que alguém notaria como ela cuidadosamente penteou os cabelos negros, reunindo-os de maneira impecavelmente simétrica ao centro de sua cabeça? Ou como o batom cor pêssego desenhava perfeitamente seus finos lábios? Tanto cuidado em passar o uniforme e escolher um sapato que combinasse, não só com a cor das bordas da camisa fechada até o ultimo botão, mas também com o seu sorriso de boas vindas aos clientes seria anexado ao seu currículo?

Lentamente, todas as manhãs, caminhava em direção à mesa acinzentada, com meia pilha de pastas organizadas, ao lado de um porta lápis de madeira, o que era camuflagem, para o que estava na terceira gaveta, aquela com chave, escondia o que estava debaixo dos blocos de notas do mês que havia  passado, eram letras vivas, entrelaçadas com paixão ao papel branco e ardente sobre os delicados dedos, cuidadosamente escolhidas, perfeitamente ordenadas para causar emoção ao seu leitor. Era ali a vida que existia, e que todos ignoravam que ela tinham...

Eram alegres até mesmo as vírgulas, as exclamações eram de causar lágrimas de felicidade, e os ponto finais deixavam profunda saudade, o triste é que ela escondia isso do mundo, pintando de marrom os tons coloridos de sua alma, prendendo o cabelo em vez de soltar seu verdadeiro sorriso, sua gargalhada, e o mundo tão egoísta nem parou para observar o brilho no canto dos seus olhos, esperemos ansiosamente, até o dia em que alguém venha a ouvir a melodia do seu interior, um coração de poeta!

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