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A única coisa que eu não suporto, é café frio



Caramba, o dia raiou com um calor insuportável, também te amo sol. Já levantei atrasada como sempre, saí chutando as quinas das paredes, droga, isso vai ficar roxo depois, onde coloquei minha escova de dentes? Não, cadê a minha saia? Duas passadas na frente do espelho e descubro que o zíper estava relaxado, vai de calça mesmo, aquela bem surrada, já com o formato da minha rotina, ah não! Agora tenho que trocar o chinelo por tênis, odeio mudar de planos, nossa! Esta ficando ainda mais calor! Droga de quarto da frente.

Dizem que sua organização externa denuncia como você anda por dentro, digamos então, que dentro de mim  esteja parecido com meu fone de ouvido, cheio de nós na garganta, e fios embolados, só que elétricos, embebidos de sentimentos, que vivem me dando choques, e isso não ajuda muito a pagar as contas, não mesmo. Enfim alcancei as chaves da moto, já estou quase na garagem, relógio de pulso marcando imperdoáveis dez minutos de atraso, dessa vez ele não vai acreditar que o meu cachorro morreu, porque quantos cachorros caberiam nessa gaiola que eu chamo de apartamento? De cinco ele já me ouvi contar...

Nossa! O transito resolveu me ajudar hoje, mas meu cabelo está uma bagunça, aquilo ali no canto são pelos do meu cobertor? O capacete vai deixá-lo com um formato incrível, já estou até prevendo algo meio Jimmy Neutron, depois de um atropelamento por uma carreta em chamas. Beleza, estou exagerando, nada que água, escova e um batom bem passado no banheiro do escritório não resolvam. Pronto! E é agora que eu olho pra razão de estar morando nessa cidade cinza, com essa gente mal educada, e esses apartamentos inspirados em latas de sardinha. Minha mesa, minhas coisas, meus desenhos, meu chefe fazendo cara feia e olhando para o relógio...

Como é aquela expressão, "agora fudeu" não gosto nem de pensar nela, mas descreveu bem a situação, desta vez ele me arranca uma advertência nas costas, lá se vai carta de recomendações e currículo profissional impecável, longo suspiro, meu olhar de imploração, duas, três tombadas de cabeça na direção dele, até que ele pôe as mãos na cintura e sorri pra mim, e mostra a pasta com o trabalho de hoje, em dois passos já estava na cadeira, fazendo o que eu mais amo, e silenciosamente cantando vitória, era forma que eu e meu chefe tínhamos de encenar que ele não me considerava a melhor, e que eu estava sempre errada. É a minha vida, e eu gosto dela, pra não suportar, só mesmo quando o café chega frio.



2 comentários:

  1. Meu Deus que monologo inclivel moça voce ta ficando muito boa nisso em parabens mesmo, o que e insuportavel e ler isso tomando cafe frio ^^

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  2. haha obrigadada Sonia! Café frio não dá mesmo não é? Sucesso pra você!

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