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O depois


Sabe aquelas horas em que você liga o ventilador só para não ouvir seu próprio silêncio? Tive um dia desses ontem, liguei na velocidade máxima, só porque é a que faz mais barulho, não queria ter a sensação de estar sozinha, de novo. Desejei profundamente que aquele som vindo daquelas rotações, dissipasse os embaraços em minha mente, quem sabe, soprasse para longe algumas lembranças, refrescasse outras, mas foi em vão.

Me joguei na cama e fiquei encarando o teto encardido, ou era ele quem me encarava? Antes fosse, mas já o considerava alguém pra conversar, abri a boca para perguntar: Por que? E meia dúzia de lágrimas fugiram de meus olhos, um soluço rompeu minha garganta fechada, ardendo feito fogo, minhas mãos já desarrumavam a colcha apertando-a com toda força que ainda tinham, já eram centenas de lágrimas e o teto ainda não havia respondido minha pergunta. Então comecei um diálogo comigo e minha solidão.

Sabe o porquê? É difícil demais entender o fato, de quem nós mais amamos estar dividindo sua vida com outra pessoa, saber que é a mão dela que repousa na dele agora, que é na testa dela que ele beija, é o cabelo dela que vai receber todos os elogios, que o cheiro dele estará na blusa dela, não na sua, que talvez seja com ela que ele consiga dizer eu te amo...O teto manteve-se calado, fechei os olhos para conter o choro, era patético, depois de tanto tempo, ainda me importar com aquilo.

O ventilador não ajudava em nada, só sabia rodar e rodar, como se balançasse a cabeça negativamente para a cena triste que estava contemplando, uma garota que se dizia bem resolvida, e que jurava para as outras pessoas que o passado não mais importava, estar ali, se destruindo, por algo que não era sua culpa. Mas as coisas terem se ajeitado na vida dele primeiro, e ele ter seguido em frente, fazia com que eu sentisse inveja, queria ter a mesma coragem de pisar em cima de tudo que aconteceu, de extrair o que sentia, e me dedicar a outra pessoa, começar outra vida...

 Mas estou presa neste porto, ancorada com aquele amor ridículo, que faço questão de cultivar e manter forte, lembrando dele todas as noites, guardando aquela foto, onde havia dois sorrisos, muita vontade de tentar, e a mínima ideia do que iria acontecer depois. E como é difícil a gente controlar o que acontece "nesse depois".

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