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Rápido demais


O que são aqueles vidros ali no chão? Talvez o que restou desse ego destrutivo, que construí não sei quando, melhor, talvez entre o estágio em que eu era feliz com meus livros de ficção científica e o dia em que resolvi usar mini-saia e beber vodka para agradar aquele garoto, que mudou meu jeito de ver os finais de semana e a forma como meus pais me viam também.

Sabe a história da garota certa com o garoto errado, que a faz sair dos trilhos mas que no final ela retorna bem a tempo, de passar para faculdade e começar a namorar seu melhor amigo que sempre a amou? Eu sou aquela garota, só que na minha história eu não voltei a tempo, e perdi meu amigo e meu lugar em casa, neste exato momento destruí todas a garrafas do bar desse apartamento sem nenhum traço de lar, nessa cidade tão distante de casa, e sei que devo cair fora antes que o dono dessas garrafas se dê conta dos estragos.

Foi difícil encontrar meu casaco, chaves e passos apressados até o elevador, eu mal conseguia acertar o botão do primeiro andar, as lágrimas não deixavam, não era um dia chuvoso, pelo contrário, o céu tão azul só servia para me lembrar das tardes no subúrbio e dos sorvetes com as amigas, mas naquelas ruas tão cinzas não havia nada de familiar, não tinham sorrisos nem amigas nos rostos daquelas mulheres tão apressadas em consumir freneticamente cigarros e cafés.

Tive que crescer rápido demais, por querer descobrir quem eu era rápido demais, tão depressa que não percebi que estava deixando a pessoa que eu era trancada no armário ao lado dos livros que já nem lia mais. Mas e se eu corresse o mais veloz possível para casa? E não demorasse tanto assim para dizer os "nãos" que eu precisasse dizer? E se minha maior urgência fosse de agora em diante apenas ser o que quero ser?




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