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Gosto de lembrar de nós assim


Dois estranhos de mãos dadas. E era a primeira vez que você me via de perto, e eu só sabia sorrir e evitar pisar nas rachaduras da calçada, imaginar se depois daquela conversa tão legal no banco da praça e aquela mão quente colada na minha, iria ter beijo. Feito uma adolescente eu já ia imaginando qual seria a desculpa, ou se você iria me pedir, ou roubar, olhei bem seu rosto moreno sob as luzes amareladas da cidade e percebi que não fazia ideia do que ia acontecer, e até hoje adoro isso em você.

Já íamos nos aproximando da minha rua, até que você parou, e eu entendi que era hora de te devolver sua jaqueta jeans com cheiro de roupa limpa, seu cheiro, agradeci e você me abraçou forte, e me surpreendeu com um beijo na testa, "adorei te conhecer" usou a frase clichê e acrescentou com algo que realmente valeu a pena ouvir "te ligo depois". Sorri mais uma vez festejando o fato de não perder contato com aquele cara tão legal que comprou sorvete de flocos só porque eu gostava, e virei as costas indo para casa, quando ouço a melhor música de todas: "Ei, espera!".

Retornei as dez passadas das vinte que já havia dado, enquanto você fez a outra metade que faltava, eu mal sentia suas mãos que já estava em minha cintura, estava concentrada no seus olhos fixos e totalmente sem ação com aqueles cinco segundos que antecederam o melhor beijo de todos, e vai saber, coisas assim acontecem uma vez na vida. Quando aterrissamos no chão novamente, pude ter plena consciência do calor de  seu corpo assim tão perto, e os braços que haviam me aconchegado dentro daquele abraço que por mim poderia ser infinito.

Gosto de lembrar de nós assim, reduzo tudo que vivemos a este único dia, eu sei que a vida mudou, e que aquele abraço não foi eterno, nem a vida é... Me conformo pensando assim, e por mais que o presente mude, e que os caminhos se separem, as lembranças, as boas lembranças, jamais serão alteradas muito menos esquecidas.


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