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Confessionário


Sabe Zé, eu tenho que confessar, que eu não sei pra onde ir quando saio do trabalho, a não ser pra casa e só, fico pensando no caminho que a coisa poderia ser melhor que isso, que existe mais da vida. Sabe quando eu vejo ele? Me passam mil coisas na cabeça, de melosidades a sacanagens mas só consigo dizer "oi" e sorrir. Eu queria ir trabalhar de salto sabe? Bem linda, mas não tenho dinheiro nem coluna para isso.

Também odeio domingo à tarde e a voz do Faustão, e que escrevam mensagens para mim com erros de português, dependendo nem leio... Ah Zé! São muitas coisas que eu queria mudar em mim, para começar, essa minha mania de ter medo de amar, ou de amar de mais quem não precisa, e de deixar as unhas crescerem, e só comprar sapatos com laço. Mas é assim sabe? Quando vi eu já comprei o sapato, já excluí a mensagem, já amei demais, me doei demais e no fim sou eu no chão do quarto me doendo, fazendo tempestade nos meus olhos e terremoto no meu peito.

Então Zé, sou como todas as outras mulheres, só que minha cabeça funciona diferente, entende? Não penso em futuro, tenho medo de sonhar e depois assistir a não-realização desses sonhos, por isso, sou sempre presa ao passado, ao que já aconteceu, que não vai ser mais alterado, só lembrado. E por isso eu prefiro Coca com chocolate quando a coisa aperta, dieta só segunda que vem, sou o simples resultado de um coração que já foi partido tantas vezes que eu desisti de colar os caquinhos e nem sei se ele se encontra mais lá, confesso Zé, que hoje sou tudo isto, amanhã eu já nem sei.

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