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Stand-by


Eu passei boa parte da vida, achando que acreditaria para sempre no amor, e que quando ele acontecesse, seria impossível desvencilhar-se dele, errei, e descobri muito cedo, de que a realidade era bem outra. Sabe quando você ama alguém de um jeito que mal consegue explicar, e o seu desejo é estar ao lado dela sempre, para sempre? Isso tudo é verdade, só que ninguém havia me contado que nem sempre, os amores são perfeitos. Existem obrigações, e algumas regras que devem ser seguidas, e se encontrarmos o amor no meio do caminho devemos contorná-lo e seguir em frente.

Ou talvez eu mesma tenha inventado essas regras e obrigações? Seria metade dos motivos, mas acontece que fui lá e estraguei tudo, mais uma vez, na esperança que eu fosse odiada para sempre, em vez disso, recebi ainda mais amor e um coração sangrando por minha causa, confesso que virei migalhas por não suportar sofrer e muito mais fazer com que outra pessoa sofresse, mas depois de muito chocolate, e dois quilos mais tarde, um bom sono, e acordei nova, sem peso na consciência, talvez só no coração, que vai ficar no stand-by, para minha segurança, enquanto calculo chegar um pouco antes dele em seu trabalho e reproduzir aquelas cenas de filme que um abraço e um beijo valem mais que mil explicações - bizarras - quando se tratam das minhas.

E a dúvida que lateja em meus pensamentos, e fere minha capacidade de lidar com todos estes processos, ele iria me receber, de novo? Até quando o amor dura? Até onde vai o perdão que ele diz oferecer? Eu diria, que se tratando de mim, é infinito, mas o caso é ele, como ele reage a isso, será que se sentiria seguro com a minha presença novamente, sem ficar se perguntando em qual momento eu sairia correndo pela porta sem data para voltar? Ou talvez a pergunta seja esta: Até quanto alguém é capaz de amar minhas loucuras? Mordo o lábio, e saio do chuveiro, a - natureza agradece - mas é que a água quente e o vapor no espelho me deu uma sensação de calma, coisa que não tenho tido neste momento, as mãos inquietas denunciam.

Acariciei o celular até achar seu nome entre os contatos, enquanto na rua no mesmo instante, alguém passou com o mesmo perfume que o seu, certeza. E o cheiro tomou conta do quarto, da casa inteira, envolveu meu corpo feito como ele fazia, cai na cama ainda enrolada na toalha, a onda de lembranças foi demais pro meu coração, tanto que de stand-by mudou pra mod on, engoli o medo e liguei, dois toques e ele atendeu, e disse que já esperava, que eu havia passado da hora de ligar e que era para eu abrir logo o portão, que estava cansado de esperar. Mentira. Isso é o que eu queria que tivesse acontecido, mas na verdade desliguei o celular e joguei no fundo da bolsa, fiz pipoca e deitei no sofá, estava passando uma comédia, e não sei porque, eu insistia em chorar.

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