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Um ir (re)sentido


Como seria bom ter seu braço em volta do meu ombro, perna com perna, bem pertinho, um cobertor em cima, cheirinho de roupa limpa, meu nariz metido em um ponto estratégico do seu pescoço, para poder observar seu queixo se movendo, enquanto faz algum comentário do filme que estamos vendo, até que você enfim se rende ao meu olhar contínuo fixado em sua boca, observado perifericamente como você sempre faz, então vira dois centímetros do rosto e abaixa três o pescoço, pronto.

Já esquecemos do filme, e do quanto alugar está ficando caro, dá próxima vez a gente vai baixar da internet, me esqueci do frio, era tão quente estar entre aqueles dois braços, recobro os sentidos e paro um instante, para observar suas pupilas dilatadas me devorando, minhas mãos que já agarravam seus cabelos começam a passear pelo seu ombro, seu rosto, escrevendo frases de amor com tinta invisível nos seus lábios, e você vai dizendo-as como se tivesse mesmo a capacidade de lê-las, a cada palavra um sorriso e aquela dobrinha que surgi no canto esquerdo do seu lábio superior, me deixava com vontade de sorrir também.

Aliás, tudo em nós era motivo para minha felicidade, eu gostava do tom da nossa pele quando os dedos estavam entrelaçados, e você apertando firme a minha mão, e com este simples gesto já entedia que iria sempre permanecer ali, para "não ver" os filmes comigo, para me esquentar no frio, e me refrescar quando os problemas se tornarem árduos demais. A vida era tranquila ao seu lado, e imprevisível também. Tanto que eu não previ que por alguma razão eu não havia conseguido chegar até o seu coração.

Por algum motivo, todas as vezes que eu disse que te amava não foram suficientes, nem as vezes que fiquei acordada até tarde esperando uma ligação sua, nem quando eu dizia "tudo bem que não pode vir, entendo" por semanas... Aí, num belo dia, você resolveu sair da minha vida, bem do jeito que entrou nela, sem avisar. Sem me dar escolha, e eu nunca disse adeus.

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