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Sobre sossegar o coração


A gente se acostuma até mesmo ao sofrimento, sempre levei isso comigo, o coração acostuma a viver apertado, os olhos sempre com uma lágrima pronta para escorrer, nos lábios as mesmas lamentações de sempre. Até que alguém diz em algum lugar mágico: chega!

E você vê que a ferida está cicatrizando, e segura sua vontade de retirar a casca que havia se formado sobre ela, você sabe que sozinho você não iria se conter e acabar cravando os dedos e mantendo a ferida aberta. Mas a chegada de reforços vêm e te sustenta. Você nem esperava, mas apareceu alguém disposto a fazer um curativo aqui e ali, a ser o seu remédio, sossegar seu coração. Tudo vira paz, a alma volta a aquecer.

Que bobagem eu querer morar na dor, você pensa enquanto abre a porta da casa dos bons momentos que construíram juntos a partir dali. O coração de apertado passou para livre, e deve estar lindo, aposto, diz a si mesmo enquanto sorri lentamente, como quem não acredita no que está vivendo, como quem acabou de acordar de um sonho bom. É de um sossego tão grande, aquele que aumenta quando mergulha num abraço quente e moldado ao seu sentir.

Os problemas diários, bobagens corriqueiras, dissolvem-se naquele abraço, as dores maiores, coisas que a gente carrega durante a vida, fogem ao som daquela voz que me lembra lar, conforto e riso. Todo amor em cada ponta dos dedos das mãos que acariciam seu rosto e cabelo, como se estivessem lidando com alguma obra inestimável. Talvez te enxergue assim, e você se perde em agradecimentos silenciosos enquanto sorri de volta.

Coração sossegado, vida quentinha no aconchego das suas certezas, nas promessas que você sabe, que desta vez, não serão quebradas.

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