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Este passarinho não quis sua gaiola.


Ela precisava voar. Tinha certeza disso, todas as manhãs, que observava os pássaros matutinos voarem para longe através das grades da janela do seu quarto. Precisava ir para longe, abrir os braços e abraçar algo maior do que levantar e ir pro trabalho de segunda a sexta. Não era a grande aventura que almejava desde criança. A vida deve ser mais do que isso - pensava pesarosa, procurando os chinelos - deve ter mais do que isso.

Não, ela não estava vendo filmes demais, tinha tão pouco tempo para isto, mas queria do fundo do coração, pegar uma mochila e por seus sonhos dentro, algum dinheiro para as passagens, nenhuma companhia aparente e sair pelo mundo, sentir cheiros diferentes, estar entre pessoas totalmente distintas do que ela era. E assim se sentir bem, em ser diferente também, ter aquela sensação de alívio por nenhum olhar curioso estar percorrendo sua figura. Se jogar no mar sem medo de afundar, de dele não sair.

Era tão intensa, que não combinava com o destino que a vida lhe dera, não se misturava com a paisagem da pequena cidade, de pessoas de mente ainda menor, era tão livre, que se sentia presa até por ter que andar somente na calçada, gostava dos riscos, de viver a beira deles, e esses desejos lhe ardiam o peito constantemente, sua sinceridade e facilidade de dizer o que sentia era pouco apreciada, a maioria das pessoas acha melhor fazer jogos e esconder coisas das outras, ela preferiu o caminho cheio de (pedradas) da sinceridade, do sorriso largo e da gargalhada não contida.

Era imprópria, andava no meio de vários rapazes, todos amigos, mesmo às línguas curiosas jurando o contrário, era livre, repito, e insisto, não combinava nem com o clima da cidade, vivia de vestidos e cabelos soltos e longos, cantarolando orações, porque tem muita fé. Queima feito o sol, brilha como ele, não pratica injustiças, principalmente consigo mesma, e por isso nesta manhã ela resolveu trocar a bolsa por mochila, e mudar a rota do trabalho pela rodoviária

Este passarinho não quis sua gaiola.

Volto quando Deus permitir, até logo, até o dia em que o céu ficar pequeno para se voar - Dizia com os olhos por detrás do vidro da janela do ônibus olhando as casinhas passarem tão depressa, e os rostos serem apenas borrões.

2 comentários:

  1. Sempre sinto como se esse tipo de texto estivesse falando comigo, e é uma sensação maravilhosa. Parabéns pelo blog!
    Estou seguindo o blog! ^^
    Tem sorteio la no blog: http://dicasdagil.blogspot.com.br/
    Um beijo, Yasmim Gil.

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  2. É bem assim Yasmim! Obrigada e seja bem vinda!!!
    Beijos

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