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Sobre: dores exteriorizadas.

Continuo contida. Levanto, lavo o rosto, procuro uma roupa que dá, e continuo contida, hoje é segunda, e eu continuei lá deitada, chorando o mesmo choro de sábado, aquele doído, que fez meus olhos arderem e ficarem vermelhos, eu fui trabalhar, mas eu fiquei lá, deitada, inerte, eu escondendo de eu, a dor que é ser eu nesse momento. "Eu quero morrer" penso. Mas nada acontece, insisto com o pensamento, desisto, nada acontece, viro o disco pro "Eu não aguento mais isso", eis aí a primeira declaração sincera do dia. Enquanto isso as pessoas passam por mim, e eu as cumprimento, mas na verdade eu queria que uma delas perguntasse como eu estou, e quando visse minha cara armando um choro, uma tempestade daquelas bem grandes, me abraçasse, e mandasse as nuvens negras, carregadas de choro ir embora, mesmo que elas não fossem e eu deixasse alguns vestígios de sofrimento no ombro da pessoa.

Mas por aqui não é bem assim, as pessoas simplesmente não suportam ter que tirar uns segundos da sua vida para aliviar um pouco o fardo de alguém.. E é por isso que escolhi ficar deitada na minha cama hoje, mandei pro trabalho só a carcaça, os olhos cansados de chorar, o rosto salgado pelas lágrimas, e por dentro oco, minha alma ficou em casa, embrulhada no meu coração confuso, mas ainda sinto a dor, em dois lugares lá em casa e aqui, sim, tô sofrendo duas vezes, chega a entorpecer, a adormecer os sentidos, de tanta dor. Li uma vez que quando a dor é muita, nosso corpo dá um jeitinho de não registrar ela inteira, eis a explicação do porque dos arranhões doerem muito mais do que cortes profundos, digamos que eu fui arranhada da cabeça aos pés, e que eu mesma cortei o meu coração em dois pedaços.

E um deles deixei com o cara que me amava, o outro, tá aqui dando uma hemorragia de arrependimentos, falando assim parece macabro, mas só estou tentando exteriorizar minha dor, como mandaria meu analista, tô indo bem doutor? Sei que depois de uma sessão comigo o senhor vai precisar de uma própria, e sabe os arranhões? Lembrar de tudo é como jogar sal neles, o bom e velho sal da verdade né? Quando esfrego em cada um deles o quanto eu fui idiota. Depois jogo álcool, procurando um fósforo, isso ilustra minha vontade de sumir, mas em vez disso preferi ficar deitada, na vida, deitada pros sonhos, coloquei a alma pra dormir para sempre, mas um "para sempre" de filme, que vai acabar depois que os créditos passarem na grande tela de burradas da minha vida.

Eu choro porque recomeçar o ciclo exige muito de mim, e eu cansei de recomeçar, só queria consertar o pouco que ainda tenho e seguir em frente, será que cola , linhas e fitas vão resolver meu problema de alma partida? Preciso de uma sutura de amor no meu coração, um pouco de pomada de compreensão nos meus machucados, e de um novo analista, um que seja especialista em gente como eu, que sofre de/por amor.

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