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Ainda estamos aqui




Oi! Desculpa eu aparecer aqui a esta hora, mas é que eu precisava de alguém para conversar, e pensei em você ao mesmo tempo que ligava a seta do carro, em direção ao retorno que passava em frente a rua da sua casa, foi automático, os meus sentimentos ainda estão ligados a este endereço, porém, nós dois sabemos, de maneira diferente, eu sei, meu cabelo cresceu mais ainda, e estou com uns quilos a mais, eu tive que compensar a sua ausência com algo, não? Você ainda é o mesmo, não deu tempo para mudar por fora, mas por dentro garanto que está tudo em ordem diferente desde aquela quinta-feira, eu ainda me lembro da ultima vez.

Sei que das prioridades talvez eu seja a ultima agora, mas contanto que eu seja, ainda; eu tenho tido algumas conquistas que você teria vibrado comigo, mas eu perdi aquele velho direito de compartilhá-las, eu sei. Lembra, quase foi um juramento a gente ainda se ligar as vezes, mas no fundo sabíamos que ia terminar assim, tão alheios a tudo da vida do outro, então por isso resolvi aparecer aqui, a esta hora, para perguntar: como foi seu dia? Muito trabalho? Algum caso engraçado no serviço hoje para me contar? Você já tem alguém para te perguntar isso? Ela é tão doce quanto você merece? Ela se preocupa com o que e quando anda comendo? Sua mãe gosta dela também?

O.k. não tenho mesmo nem direito de estar aqui, mas é que eu me sinto no dever de me importar, em nome de tudo que já nos aconteceu, você me conhece, e sabe que depois de prometer não me odiar eu vou sorrir e ir embora, como acabo de fazer agora, contente com as respostas que recebi, todo dia, uma prece minha, é sempre sobre você, e confesso, que estou satisfeita comigo mesma, por ter convertido os meus sentimentos nessa coisa boa que sinto por nós hoje, é quase uma gratidão por ter tido meu tempo nessa vida com você, pelas coisas que aprendi, ou por somente ter sorriso com você por aí.

Agora as luzes da cidade são apenas borrões, e ainda vejo o seu rosto entre uma sombra e outra, ou na nuca daquele cara no ponto de ônibus, e lá no fundo, algo entre mim e Deus, sabe bem o que sente, aperto o volante como para que me agarrar a realidade, ajeito o retrovisor de maneira desnecessária, apenas para me enxergar e checar que aquele sorriso ainda permanece ali, desejei que tivesse como me ver agora, ali sorrindo no escuro, viu? Você ainda me faz feliz mesmo de longe, obrigada.
 

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